Entre tantas ideias…

Não sei se é uma dádiva ou um fardo mas, quanto ao ministério da Igreja, minha cabeça dificilmente consegue parar e “respirar” por alguns instantes.  Minha esposa e alguns amigos já sabem que se eu olhar fixo pra um imóvel no meio da cidade, seja ele novo ou em ruínas, a primeira frase que vou dizer é: “Aqui daria uma igreja” e em seguida eu começaria a falar dos adjetivos do local, região, ambiente social e etc.

Sei que herdei isso do meu pai. Era como um “hobbie” nosso, ficar conjecturando como estender mais um braço da igreja local pra um novo ponto estratégico de nossa metrópole. Com os anos, várias novas comunidades foram surgindo, normalmente de bairro em bairro. Quando era bairro “normal” tomava o nome local, quando era bairro “de santo” criava uma marca diferente, algo mais “reformado” (peço perdão aos leitores porque tenho essa mania de usar “aspas” com bastante frequência).

Mas hoje, olhando pra frente e pra trás, pra trás e pra frente, tudo ao mesmo tempo e encarando o presente, vejo que por mais que diversas partes da Igreja estejam espalhadas pela metrópole e sem deixar de expressar um reconhecimento absoluto do alto valor das mais diversas comunidades cristãs espalhadas pelos bairros de Belo Horizonte, ao andar pelo centro, bem no “miolo”, tenho a constante sensação de nossa cidade ainda é uma cidade desigrejada.  Não existem reais marcas da Igreja na cidade, por maior que seja o número de igrejas pela cidade.   Isso me preocupa, preocupa bastante.

Minha esposa morou por um período em Salt Lake City, Utah – EUA, e ela sempre conta como a cidade tinha a cara da igreja, que, em Utah, é a igreja Mórmon. Fica claro como o domínio da mentalidade religiosa (pesquise um pouco sobre a história dos mórmons nos EUA e em especial sobre o estado de Utah) sobre a cidade altera radicalmente as mais diversas características socioculturais. A cidade limpa, a cidade segura, a cidade moderna, a cidade que cuida dos cidadãos.  E isso num contexto não cristão. Ok, vou deixar Salt Lake City de lado…

Mas não podemos nos manter cegos para o fato de que a cidade de Belo Horizonte é, provavelmente, um dos maiores polos da igreja evangélica na América Latina e mesmo assim é muito difícil perceber o Evangelho na cidade.

[Talvez você que está lendo até aqui, com todas as minhas “aspas”, meus (parenteses) e agora essa chave, possa estar em total discordância ou me achar pessimista, mas tente caminhar comigo até o final…]

Há alguns anos estive numa apresentação dos australianos do Hillsong United. Eles insistiram pra que não se tirasse fotos, pois, para eles, ali era um tempo de culto a Deus, pararam a música por cerca de 30 minutos para pregar a Palavra, e falaram abertamente contra a idolatria a músicos e ministérios… Mas não adiantou… A turma tava com faixa na cabeça, rolou muito gritinho frenético, fotos não pararam e, durante o momento de pregação, a grande maioria aproveitou pra levantar e ir ao banheiro (já que parou a música da banda, vou ali e já volto).  Fazendo eles o meu estilo ou não, o pastor que pregou naquela noite disse exatamente que “era isso que alegrava Satanás…” e em poucas palavras, disse que uma igreja que fica fechada em quatro paredes, mesmo que em ginásios lotados, não traz qualquer impacto e transformação ao mundo que a cerca.

Em Belo Horizonte, cada dia mais prédios de igreja são construídos, cada vez maiores, mas nossa cidade ainda é, repito, desigrejada.

 

Entre tantas ideias, muitas delas convergem num grande anseio, de Uma Igreja Na Cidade, quiçá, A Verdadeira Igreja da Cidade.

 

 

 

#solocristus

3 thoughts on “Entre tantas ideias…

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  1. Excelente reflexão.

    “uma igreja que fica fechada em quatro paredes, mesmo que em ginásios lotados, não traz qualquer impacto e transformação ao mundo que a cerca”.

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  2. Ótimo texto para reflexão, também passo pelas ruas – sobretudo das periferias e, sinto falta de igrejas com herança reformada – existem muitas seitas se passando por igrejas e existem muitas igrejas infiéis às verdades da Escritura. Os filhos das trevas são mais aplicados dos que o da luz. Até parece que a luz nos faz adormecer e nos acomodamos em um modo “normótico” de viver… Que o Senhor nos abençoe.

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